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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pescadores e indígenas recebem treinamento para produção de mel no pantanal



A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Rotary Internacional, está implantando o projeto de melhoramento genético para produção de abelhas rainhas africanizadas - Ápis mellifera. O projeto visa a instalação de apiários e recuperação da mata ciliar nas comunidades de pescadores e indígenas na região sul do pantanal, nos municípios de Santo Antônio de Leverger e Barão de Melgaço.




O biólogo da Empaer, João Bosco Pereira ressalta que a finalidade do trabalho é aumentar a produção de mel e evitar a contaminação de doenças em Mato Grosso. O projeto vai atender cem famílias que vivem da pesca, dando oportunidade em ter outra fonte de renda. Produtores rurais que estão na atividade, já receberam entre cinco a dez abelhas rainhas por apiário a fim de aumentar a produtividade em 100%, chegando a uma produção de 60 quilos de mel por colmeia ao ano.

Conforme Bosco, as famílias interessadas na atividade apícola estão recebendo treinamento com orientações teóricas e práticas sobre criação de abelhas dos técnicos do Senar e Empaer . Ao todo, serão 300 colmeias em produção até o final de 2012. Paralelamente à instalação das colmeias acontecerá o plantio de mudas nativas para recuperação da mata ciliar com plantas melíferas para enriquecer o pasto apícola.

Algumas colmeias foram instaladas nos galhos das árvores, suspensas a uma altura de dois metros do chão, penduradas por arames. Conforme Bosco, essa inovação tecnológica evita a ação dos predadores como formigas, cupins, tamanduás e maiores problemas no período das chuvas. As colmeias foram instaladas na comunidade Trindade, em Santo Antônio de Leverger e cada família terá direito a cultivar três colmeias

Uma colmeia produz em média 30 quilos de mel por ano. Pereira destaca que o mais importante que produzir é organizar a cadeia da apicultura, garantindo o selo de qualidade para o mel produzido em Mato Grosso. Ele declara que o mel está sendo vendido na informalidade e o produto não está nas prateleiras dos estabelecimentos comerciais. E aponta alternativas na organização do setor produtivo por meio de cooperativas e associações.

Para atingir uma produção de 50 a 60 quilos de mel/ano é importante manter o apiário com abelhas rainhas jovens, com idade máxima de dois anos, já que vivem até cinco anos. Um bom pasto apícola produz em média 3 mil ovos por dia, uma população de 80 mil abelhas operárias por colmeia Com a apicultura, o biólogo calcula que uma produção de até 50 quilos de mel/ano, pode render para a família até R$ 3 mil reais. No mercado o mel está sendo vendido a R$ 20,00 o quilo.

Doença

O Técnico da Empaer alerta sobre dois problemas com a criação de abelhas, a doença que está dizimando os enxames e contaminando o mel, conhecida como podridão da larva ou Luk Americana e é a falta de informação dos apicultores, que estão adquirindo rainhas de outros estados sem procedência, ou seja, correndo o risco de importar abelhas contaminadas com a podridão da larva. A doença é provocada por uma bactéria que produz esporos com resistência às intempéries climáticas. Os maiores focos foram encontrados nos Estados Unidos e Argentina.

Bosco explica que a enfermidade aparece antes do nascimento da larva, causando a morte dentro da célula. Para combater é necessário encontrar abelhas com características genéticas contendo dois genes: um para desopercular (destampar) a célula e outro para remoção da larva morta. Ele explica que não é todo enxame que possui essas características, é necessário substituir a rainha para criar defesa contra a doença. “A intenção é criar um Centro de Apicultura para produzir e fornecer aos produtores abelhas rainhas livres da doença”, conclui Bosco.

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